Entre nós: Distúrbios alimentares - A luta contra si mesmo

Postado por Dayanne às 13:51
Você é mais que uma imagem!
Todos os dias me pergunto, como foi acontecer isso comigo. Pensamos que estamos imune as coisas mas a vida tem um jeito bom ou ruim de provar que estamos errados .Você pode até pensar que nada disso chegará até você, que você está protegida de passar por isso, mas pode acontecer com qualquer pessoa assim como aconteceu comigo. E hoje estou aqui escrevendo para vocês, contando como cheguei até o distúrbio alimentar, e como andou minha vida durante cinco anos, e até hoje luto contra isso.


Eu tinha 12 anos na época, sempre fui boa de garfo, mas cheguei em uma época que cortei completamente os doces, e massas. Os meus pais não ligaram muito, pensaram que era coisa da idade. E eu nem liguei, porque não tinha ninguém falando pra eu comer, comia quando queria. Quando eu tinha 13 anos, minha irmã de 15 anos havia engravidado depois que eu descobri, não comia mais nada, porque ali havia quebrado toda a confiança que tinha entre nós, e eu me sentia completamente culpada por ela ter engravidado. (isso já é outra história, mas que cooperou bastante para a  minha história). Quando eu estava na 7°/8°serie, foram os piores anos da doença, foi nessa época que meus pais descobriram, pois eu desmaiava muito na escola, passava mal, todas as minhas notas haviam caído.


Chamaram minha mãe na escola para conversa, falaram que eu estava doente, que meus pais não estavam cuidando de mim.Quase fui tirada dos meus pais pelo conselho tutelar, só podia entrar na escola e participar das aulas com um atestado médico. Depois disso a situação só piorou, pois a família toda ficou sabendo, todos me criticaram, poucos me estenderam a mão para me ajudar, meu pai não aceitava, e minha mãe só me levava ao médico, porque eu precisava de atestado. Minha mãe só foi acreditar que eu estava doente, quando o médico falou com ela que se eu não me tratasse à anorexia iria me matar.


Depois disso fui obrigada a começar a comer, depois que eu comia, eu corria para o banheiro, pois tive que arrumar outra forma de emagrecer, e isso me gerou a bulimia, pois tudo que eu comia eu vomitava. Mas quando eu estava sozinha eu não comia. Depois descobriram que eu estava vomitando, tinha que comer perto deles e não podia ir ao banheiro depois. Quando eu comia eu separava toda a comida, jogava em cima da mesa sem que eles percebessem, esperava todos comerem e quando saiam da mesa jogava tudo fora, comia perto do fogão para devolver a comida a panela, quando comia, comia pouco, quando a comida estava acabando eu só mastigava, fingia que engolia, depois eu cuspia tudo no lixo.Tinha momentos de compulsão, comia tudo de uma vez só, como eu não podia mais vomitar,eu tomava vários comprimidos todos os dias de laxante .

Eu queria ajuda, mas eu não pedia por vergonha, não gostava de falar, mas meu silêncio gritava por ajuda todos os dias, e ninguém me ouvia, as pessoas só falavam e ninguém me escutava, todos pensam que isso é coisa de gente idiota, de menina mimada, a procura do corpo perfeito, gente que não tem nada na cabeça. Mas ninguém sabe o que passa pela cabeça de uma pessoa que tem anorexia e bulimia, pensamos que vamos conseguir sair disso sozinhos, mais não vamos, falamos que estamos bem, mas na verdade não estamos, falamos que não temos fome, mas na verdade nós morremos de fome.


Tinha época que eu ficava aliviada em ser obrigada a comer, pois o meu corpo estava gritando por comida, mas a doença não me deixava chegar perto de um prato.Odiava passar na frente de um espelho, mas ficava super feliz quando os meus ossos começavam a aparecer, pois isso significava que eu estava chegando ao meu objetivo. Meu primeiro ano do ensino médio não foi muito bom, pois eu ainda estava em um dos piores anos, minha irmã havia descoberto que eu tomava remédio, ameaçou a contar para os meus pais, tive que parar. Passava muito mal na escola, ia embora quase todos os dias, chorava muito, odiava que as pessoas me perguntava o que estava acontecendo, pois eu queria gritar com todos ali, para eles pararem de falar de mim, pois ninguém sabia o que estava acontecendo.


Cheguei a pesar 39/40 quilos com 15 anos, eu não aceitava tratamento, nunca fiquei mais de dois meses com os mesmos médicos, chegava ao consultório não falava nada, passei por vários especialistas. No ano de 2011 que meu pai foi acreditar que eu estava doente, pois a anorexia havia atrapalhado todo o meu organismo, eu colocava sangue pelo nariz todos os dias, não segurava mais a comida, e os médicos da época havia falado com meu pai se eu não melhorasse eles iriam de internar, e foi aí que caiu a ficha do meu pai.


Tinha época que eu não gostava de olhar para os meus pais, não há coisa pior do que você ver seus pais chorando por uma coisa que você esta fazendo, ouvindo o seu pai dizer que você está morrendo, que ele não que ir ao meu enterro. Tinha dia que eu pensava “se eu morrer, vai ser melhor, eles vão sofrer por um tempo, mais depois isso ia passar”.Mais eu não tinha culpa daquilo, a doença já havia me dominado, eu já estava sem forças para lutar, já tinha me entregado. Voltei a comer aos poucos, tive que lutar contra eu mesma, sentava na mesa e chorava só de pensar que eu tinha que comer.  Criei intolerância alimentar a várias coisas,quase morri por ter comido um pedaço de peixe.


 Graças a Deus hoje eu já aceito que estou doente, tenho apoio de toda a família, principalmente dos meus pais. Estou fazendo tratamento, com psicólogo, psiquiatra e endocrinologista, em um lugar especializado para esses casos (Núcleo de Investigação de Anorexia e Bulimia -NIAB). Não vou falar que é fácil, porque não é, já tive varias recaídas. Posso dizer que o distúrbio alimentar faz você se dividir em duas pessoas, porque por dentro tem uma parte que quer melhora e a outra quer que você caia de novo, e todos os dias você tem que lutar contra a voz que está na sua cabeça falando pra você parar de comer.. se não vai engordar. Hoje eu posso dizer que sou forte, pois lutar contra você mesmo todos os dias não é fácil.

Por Sarah Rodrigues- 17 anos /Belo Horizonte-MG



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3 comentários

3 comentários:

SUANNY SAMPAIO disse...

Relato comovente. Não conheço ninguém que esteja passando por esse problema, mas acredito ser uma luta diária, dia após dia.
Estou na torcida para que ela se supreenda consigo mesma todos os dias, ao notar melhoras significativas.

Bjs :t

http://temdetudosusu.blogspot.com.br/

Diário de Penteadeira disse...

Oie querida,lindo blog...porem triste esse post :/ infelizmente acontece isso com mts pessoas ne?!estou te seguindo,me segue de volta?sou nova por aki,bjinho

Dayanne disse...

RESPONDENDO:

* Suanny é bem triste mesmo, e quando fui perceber ela estava bem ali, do meu lado...
Obrigado pelo comentário linda :t :t

* Claro que sigo, seja bem vinda ao meu blog.. Obrigado por seguir flor :t beijão

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